Parte III Rio da Prata
Finalizando a expedição de Bonito-MS, vamos mergulhar no universo do Rio da Prata repleto de peixes e algumas variedades de plantas. Com uma beleza ímpar, notamos que em Bonito cada rio tem sua própria "personalidade" e nos leva a ecossistemas diversos.
O Rio da prata está localizado no município de Jardim e o "Olho d'água" é sua principal nascente, local onde foi realizada a flutuação que deu origem a este artigo.
O início da flutuação deu-se em sua nascente, com temperatura da água à 23°C, tornando-se indispensável a utilização de roupas de neoprene. O Rio da Prata tem a maior variedade de peixes da região. No local da flutuação, o Olho d'água é um verdadeiro berçário de reprodução e desova das mais belas espécies do Pantanal. Antes do mergulho (01) é possível visualizar e identificar algumas espécies como a Piraputanga (Brycon microlepis), Dourado (Salminus maxillosus) e Piaus (gênero Leporinus) devido à transparência de sua água.
Submergindo, o visual é deslumbrante. Cardumes e mais cardumes de Piraputangas, diversos olhos d'água (02) e nascentes em forma de buracos que parecem não ter fim, local onde "nasce" a água do centro da terra. (03)
Foto 01
Foto 02
Foto 03
Ao contrário dos rios Baía Bonita e Sucuri, o Rio da Prata apresenta uma riqueza maior em fauna do que na flora aquática. Como podemos ver nas fotos, a vegetação subaquática é formada quase que exclusivamente por Heteranthera zosterifolia. Sem dúvida alguma, este fato faz a nascente Olho d'água ser muito marcante, pois as moitas desta planta são enormes e em alguns pontos parecem formar pequenos labirintos por onde se está flutuando. Veja nas fotos (04, 05, 06, 07, 08, 09, 10, 11).
Foto 04
Foto 05
Foto 06
Foto 07
Foto 08
Foto 09
Foto 10
Foto 11
A Heteranthera zosterifolia também foi encontrada na forma emersa e com flores (12). Planta em detalhe (13 e 14).
Esta planta é encontrada somente próxima à nascente, local onde há quantidade suficiente de CO2 para o seu desenvolvimento. Passando algumas centenas de metros, o CO2 é expulso da água para a atmosfera pela ação de algumas corredeiras (15). O CO2 presente na água das nascentes é de origem subterrânea.
Foto 12
Foto 13
Foto 14
Foto 15
As Briófitas (musgos) Campylium hispidulum e Leptodictyum riparium além de muitas outras não identificadas foram encontradas neste rio. Para os apaixonados por musgos este local é um paraíso. Basta olhar de perto qualquer pedaço de tronco, árvore morta submergida ou até mesmo pedras que encontramos musgos. Na foto (16) nota-se um pedaço de tronco coberto por musgos realizando a fotossíntese e na foto (17) um pedaço de madeira submersa começando a ser tomada por musgos.
A variedade mais interessante encontrada foi um diminuto musgo. Foi coletada uma pequena amostra que está em meu aquário. Este musgo apresenta crescimento muito lento e um grande poder de fixação. Na foto (18) nota-se a diferença de tamanho em comparação a um musgo comum, como o de Java.
Foto 16
Foto 17
Foto 18
Os peixes neste rio são dóceis e aproximam-se facilmente enquanto flutuamos. É muito interessante a sensação de nadar junto a lindos exemplares de Dourados, Piaus, Pacus, Piraputangas... que normalmente são vistos sobre o gelo nas peixarias e assados sobre nossa mesa de jantar! Acho difícil você sair do rio e depois comer um prato feito com um destes exemplares, embora eles sejam servidos nas recepções das fazendas onde se localizam os rios e que dão suporte aos turistas. Vale lembrar que os proprietários dos rios protegem muito bem a fauna e flora, proibindo inclusive, a entrada de turistas com repelente ou protetor solar.
Dos peixes encontrados no rio, o que mais impressiona é o Dourado. Dizem que ele é o rei do rio, e sem dúvida a sua pose e olhar imponentes são misteriosamente de colocar medo. Nota-se o respeito por parte dos outros peixes, como as Piraputangas e peixes menores, que parecem respeitar uma barreira de distância ao redor dele. Veja fotos de exemplares presentes na nascente e decorrer do rio (19, 20 e 21). Um peixe que não se intimida na presença do Dourado é o Corimba (22).
Foto 19
Foto 20
Foto 21
Foto 22
O Pacu (Piaractus mesopotamicus) também habita o rio, apesar de raramente ser visto. Tive o privilégio de registrar um belo exemplar com uma foto (23). São lindos, enormes e gordos. Todos os peixes deste rio aparentam estar no melhor estado de saúde possível.
Foto 23
O Piau, também conhecido como Piau três pintas (Leporinus friderici) também impressionou por sua saúde e tamanho. Os maiores chegavam a medir aproximadamente 60 cm. Consegui fotografar alguns menores, como os das fotos (24, 25 e 26). Na foto (27) pode-se notar um enorme exemplar apontado pela Cristina. Nesta foto é possível ter uma idéia do tamanho.
Foto 24
Foto 25
Foto 26
Foto 27
A Piraputanga (Brycon microlepis) é o peixe mais comum na região. Apesar de ser uma espécie encontrada em grande quantidade nos rios da Serra da Bodoquena, ela é protegida pelo IBAMA. Encontrei a Piraputanga em peixarias e restaurantes de Bonito. Cheguei a perguntar a origem da mesma e disseram-me que era proveniente de uma outra região onde a pesca é liberada. Esta espécie é, sem dúvida, a mais dócil de todas. Se você segurar uma vareta com um salgadinho na ponta fora d'água ela pula e come o salgadinho sem se preocupar com a sua presença. Este comportamento ocorre porque elas são alimentadas pelos turistas, mas esta prática está sendo inibida em alguns locais, como na nascente Olho d'água. Veja alguns exemplares nas fotos (28, 29 e 30) e um cardume na foto (31).
Foto 28
Foto 29
Foto 30
Foto 31
Além de grandes peixes, o rio também apresenta pequenas espécies no mais belo estado de saúde. Em alguns pontos encontrei o Mato-grosso (Hyphessobrycon eques) exibindo seu vermelho exuberante. Fotos (32 e 33).
Foto 32
Foto 33
Encontra-se no rio uma quantidade incontável de Lambaris do gênero Astianax que como nas fotos (34 e 35) rodeiam um tronco flutuante beliscando algas.
Foto 34
Foto 35
Espécies animais e vegetais encontrados no Rio prata
Plantas vasculares e Caráceas - Echinodorus bolivianus - Heteranthera zosterifolia - Hydrocotyle leucocephala - Cladium jamaicence - Lemna valdiviana - Lemna aequinoctialis
Briófitas (musgos) - Campylium hispidulum - Leptodictyum riparium
Peixes - Piraputanga (Brycon microlepis) - Curimba ou Corimbatá (Prochilodus lineatus) - Mato-grosso (Hyphessobrycon eques) - Lambaris (espécies de Moenkhausia, Astyanax, Bryconops e Jupiaba) - Jacundá (Crenicichla edithae) - Dourados (Salminus maxillosus) - Piaus (gênero Leporinus)
Parâmetros físico-químicos da água Nascente KH: 7.5 GH: 10 pH: 7.5 CO2: 8 ppm PO4: <0.01 FE++: 0 ppm Temperatura: 23°C
Foz KH: 6.5 GH: 10 pH: 8.0 CO2: 2 ppm PO4: <0.01 FE++: 0 ppm Temperatura: 25°C
Referência bibliográfica: Guia para identificação de plantas aquáticas de Bonito e região. Nos Jardins submersos da Bodoquena. Editora: UFMS Autores: Edna Scremin Dias Vali Joana Pott Regis Catarino da Hora Paulo Robson de Souza
Campo Grande-MS 1999
Reportagem e fotografias: Mauricio Xavier de Almeida: Empresa Aquamazon Cristina Midori Yamato: Engenheira agrônoma |
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